A dieta só a base de carnes, conhecida como dieta carnívora, tem resultados interessantes para diabetes, emagrecimento, doenças autoimunes e alergias.
Porém, deve ser usada por um período de tempo limitado, pois aparecem consequências como:
Tireoide
Quando se retira o carboidrato da dieta, ocorre supressão da tireoide, pois o corpo perde a habilidade de converter o hormônio inativo T4, em hormônio ativo T3, pela falta de glicose.
Porém, ao se consumir carne fresca de abate recente, esta contém glicogênio, uma forma de carboidrato armazenado, mantendo um certo equilíbrio proteína-carboidrato.
Conforme a carne envelhece, ocorre fermentação bacteriana do glicogênio em ácido lático.
Nessa condição, perde-se o benefício dos carboidratos, restando só a proteína, com altos níveis de endotoxinas e compostos que estressam o metabolismo.
Sem o glicogênio, o fígado não produz glicose, comprometendo os hormônios tireoidianos.
Aumento de cortisol
Então o corpo é forçado a elevar o cortisol e glucagon para tornar a glicemia estável.
O cortisol tem como função básica, manter o equilíbrio glicêmico e regular as respostas inflamatórias do estresse.
E, em situações de cronicidade do estresse, o cortisol se eleva regulando o metabolismo de forma a compensar essa situação ou corrigir a falta de carboidratos saudáveis na dieta.
Veja as consequências:
1. Esse hormônio apresenta um mecanismo protetor do nível da glicose, para que esta não caia a níveis perigosamente baixo, evitando coma hipoglicêmico e morte.
Quando a glicemia cai, por longos períodos, o cortisol age para aumentar a glicose na circulação.
Nos casos em que não há fonte alimentar suficiente e esgota-se as reservas de glicogênio, o cortisol induz o corpo a sacrificar a musculatura magra, ossos e tecido cerebral para se degradar em aminoácidos que o fígado converte em glicose, através de um processo chamado gliconeogenese.
Essas estratégias acabam levando a uma redução da taxa metabólica, comprometendo a função mitocondrial e o próprio metabolismo.
2. Quando o cortisol se mantém elevado, promove lipólises que é a queima de gordura.
A primeira impressão é que seja algo bom, mas sua ação é direcionada para gorduras periféricas, subcutânea e preserva a gordura entre as vísceras, o que contribui para a inflamação e aumento de risco cardiovascular.
3. Outra consequência do alto nível crônico de cortisol, é minar o sistema imunológico.
4. Além disso, o cortisol libera neurotransmissores que estimulam a compulsão alimentar comprometendo hábitos alimentares saudáveis.
5. Primariamente o cortisol é o hormônio do envelhecimento.
Caso se mantenha elevado, aumenta o risco de morte prematura, além de ser altamente catabólico.
Neste caso, a função tireoidiana fica comprometida pela perda da habilidade do fígado em converter T4 em T3, a forma ativa de hormônio tireoidiano causada pela redução da disponibilidade de glicose no fígado.
Com o passar do tempo, esse mecanismo entra em exaustão, gerando sintomas de fadiga, extremidades frias e propensão de ganho de peso, mesmo você achando que está se alimentando corretamente.
Perfil dos aminoácidos do tipo de carne
Consumir carne de músculo em detrimento de vísceras, ligamentos e brodos, causa aumento de certos aminoácidos que comprometem a produção de hormônio T4.
Muitos que seguem a dieta carnívora, não realizam que a maior parte da proteína deve ser na forma de colágeno, e não em carne vermelha exclusivamente.
Como se consome muita carne de músculo, haverá um desequilíbrio de aminoácidos, com aumento de metionina, histidina, triptofano e cisteína, que promovem inflamação e suprimem a função tireoidiana e o metabolismo.
Relação cálcio-fósforo
Com o consumo só de carne, essa relação é alterada, com muito fósforo e com pouco cálcio, acelera o processo de envelhecimento, reduz a taxa metabólica e acentua osteoporose e fraqueza muscular.
A falta de fibras no intestino
Sem fibras, as bactérias intestinais ficam no “modo” inflamação, pela presença de endotoxinas, o que interfere com a função tireoidiana e suprime a produção de energia.
Excesso de ferro
Longos períodos na dieta carnívora, tendem a aumentar a ferritina e nível de saturação do ferro, causando estresse oxidativo.
Isso enfraquece o metabolismo tireoidiano, além de acelerar o envelhecimento.
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Referências bibliográficas:
drrondo.com/cortisol-importancia-e-riscos/
drrondo.com/cortisol-bom-ou-mal-para-a-longevidade/






