A grande mudança:  Leite integral, agora saudável

Desde a 1ª edição das diretrizes alimentares americanas em 1980, tem se indicado evitar leite integral, por causa das gorduras saturadas que foram falsamente acusadas de obstruir as artérias, causando doença cardiovascular.

A maior mudança sobre leite integral

As novas diretrizes alimentares, agora em 07 de Janeiro de 2026, confirmam algo que venho lutando todos esses anos, como sendo saudável.

Agora o leite integral é bom e devendo se evitar os laticínios com pouca gordura.

A maioria dos estudos que suportam isso é claro, pois o que se observa é que os laticínios reduzem o risco de hipertensão arterial, doença cardíaca e diabetes tipo 2, apesar de conterem gorduras. 

E mais, mesmo os laticínios ricos em gorduras, altamente calóricos, não contribuem para o ganho de peso.

Vem exatamente contra o que a American Heart Association e a Organização Mundial de Saúde tem recomendado, ou seja, beber leite com pouca gordura, ou leite desnatado, como saudável.

Laticínios protegem a saúde cardíaca

De acordo com estudo de 2018, publicado no Lancet com 136.400 adultos aproximadamente de 5 continentes por 9 anos, observou-se que aqueles que consumiram 2 ou mais porções por dia, tiveram redução de risco de morrer em:

– 17% por qualquer causa

– 22% por doença cardiovascular

– 34% por acidente vascular cerebral

O leite e o iogurte foram os maiores protetores de doença cardiovascular e diminuição de risco de mortalidade, em seguida vem a manteiga e o queijo.

Outra metanalise, observou que o alto consumo de leite reduziu o risco de pressão arterial elevada, com efeito neutro em doença cardiovascular.

A avaliação DASH também observou uma relação entre o consumo de leite e redução de pressão arterial.

Já, 20 estudos randomizados, observou-se que não havia aumento significativo de LDL colesterol entre aqueles que consumiram produtos lácteos com baixo ou alto teor de gordura.

A razão mais provável disso, é o fato da gordura do leite estar envolvida em fosfolípides, o que ajuda a reduzir a sua absorção no intestino.

Também em 2018, outra avaliação de larga escala, que junta resultados de 16 estudos, de diversos países como EUA, Europa, Austrália e Taiwan, envolvendo quase 64 mil pessoas, seguidas durante 9 anos.

Observou-se que, os que consumiam os mais altos níveis de gordura de leite (ácidos graxos C15:0, C17:0 e trans palmitoleico) tiveram 29% de redução de incidência de diabetes tipo 2.

O professor Emérito de Ciências Nutricionais da Pensilvânia State University, Kris-Etherton, recomenda, de acordo com os estudos sobre gordura animal, que é adequado o consumo de uma ou duas porções de leite integral, iogurte ou queijo.

O leite é mais do que só a sua gordura

Laticínios e produtos lácteos contém diversos compostos potencialmente benéficos como:

– aminoácidos específicos

– gorduras saturadas de cadeia ímpar 

– fosfolipídeos de glóbulos de gordura de leite

– gorduras de cadeia ramificada e insaturadas

– vitamina k1 e vitamina k2, cálcio

– probióticos

Leite cru é a melhor opção

A escolha ideal se possível é com certeza o leite, iogurte, queijo e manteiga de leite cru, não pasteurizado, pois esse processo destrói nutrientes valiosos.

Mesmo o leite orgânico não é o ideal, quando comparado com o leite cru.

Dizem que o leite cru não é adequado por risco de contaminação, o que é muito raro, se for produzido com boas práticas de higiene e sanidade animal.        

O leite cru, não se pode esquecer que, contém componentes que protegem contra patógenos causadores de doenças.

Já nos animais confinados, há uma presença maior de patógenos de todos os tipos, pelas condições como esses animais são criados, em estresse crônico e ambiente inóspito.

Segundo estudo do Dr. Ted Beals, há 35.000 vezes mais possibilidade de ficar doente consumindo qualquer alimento quando comparado com o leite cru.

Com certeza, o leite cru é o mais saudável em termos nutricionais.

Componentes destruídos pela pasteurização

– Lactoferrin, que se liga ao ferro

– Lactoperoxidase, com propriedades antimicrobianas

– Enzimas, importantes para a digestão

– Prebioticos, que ajudam na saúde intestinal

– Lactase, enzima responsável pela degradação da lactose e galactose.

Com isso, haverá intolerância à lactose, sem poder absorvê-la.

Outro fator que causa intolerância à lactose é a tireoide, pois esta auxilia a produção de lactase no intestino.

Muitas pessoas que tem intolerância à lactose, não tem nenhum problema em beber leite cru, pois a lactase está nele.

Referências bibliográficas:

– New York Times December 8, 2023 (Archived)

– The Lancet November 24, 2018; 392(10161): 2288-2297

– Gut March 2020; 69(3): 487-501

– Raw Milk Institute, Common Standards

– Real Milk March 16, 2021

– Real Milk, See Raw Milk Is Safe illustration

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