Os surpreendentes benefícios das gorduras do leite

Você é daquelas pessoas que evitam leite integral, por causa da gordura saturada ?

Se sim, você está perdendo um dos melhores alimentos para a saúde.

Por mais que tenham tentado associar o leite integral às doenças cardiovasculares, o que eles concluíram é exatamente o oposto.

Leite integral reduz o seu risco de doença cardiovascular.

E não para aí, pois também reduz o risco de diabetes tipo 2, doença hepática, por exemplo.

As razões por trás desses benefícios, é porque o leite integral, contém compostos que geram saúde como:

– aminoácidos específicos

– gorduras insaturadas de cadeia média e gorduras de cadeia ramificadas 

– gorduras saturadas de cadeia ímpar, como o ácido pentadecanoico (C15:0) e o ácido heptadecanoico (C17:0).

– fosfolípides 

– vitaminas e minerais 

– probioticos

Gorduras do leite

O leite contém diferentes tipos de gordura

Cerca de 68% dessas gorduras saturadas são:

– ácido miristico (C14:0)

– ácido palmítico (C16:0) 

– ácido esteárico (C18:0)

As gorduras saturadas de cadeia ímpar são compostos de:

– ácido pentadecanoico (C15:0) representando somente 1% dessas gorduras

– ácido heptadecanoico (C17:0) com 0,5% dessas gorduras

Ácidos graxos saturados de cadeia ímpar (AGCI) de laticínios são gorduras essenciais, e são consideradas essenciais pois não são produzidas no nosso corpo.

Estudos recentes sugerem que os ácidos graxos saturados de cadeia ímpar (AGCI) são uma das gorduras mais essenciais para a dieta humana.

Você só a consegue dos laticínios, sua fonte primária.

Veja o que a Scientific Report em 2020 comenta:

“Ácidos graxos saturados de cadeia ímpar (AGCI) estão presentes em níveis residuais na gordura de laticínios e em alguns peixes e plantas. Concentrações circulantes mais elevadas de AGCI, ácido pentadecanoico (C15:0) e ácido heptadecanoico (C17:0), estão associadas a menores riscos de doenças cardiometabólicas, e uma maior ingestão dietética de AGCI está associada a menor mortalidade.

No entanto, os níveis circulantes de AGCI em toda a população têm diminuído nos últimos anos. Aqui, mostramos que o C15:0 é um ácido graxo dietético ativo que atenua a inflamação, anemia, dislipidemia e fibrose in vivo, potencialmente por se ligar a reguladores metabólicos importantes e reparar a função mitocondrial.

Esta é a primeira demonstração do papel direto do C15:0 na atenuação de múltiplas comorbidades usando mecanismos fisiológicos relevantes em concentrações circulantes estabelecidas.

Ao combinarmos nossas descobertas com evidências de que (1) o C15:0 não é facilmente produzido endogenamente, (2) uma menor ingestão dietética e concentrações sanguíneas de C15:0 estão associadas a menor mortalidade.” com maior mortalidade e pior estado fisiológico, e (3) o C15:0 demonstrou atividades e eficácia que se assemelham aos benefícios associados à saúde em humanos, propomos o C15:0 como um potencial ácido graxo essencial.”

Veja o que os pesquisadores concluíram baseado nestes achados, sobre C15:0:

“Ácidos graxos essenciais são definidos como ácidos graxos dietéticos ativos que: 

(1) são necessários para manter um estado fisiológico saudável, 

(2) não são produzidos endogenamente em níveis adequados e 

(3) requerem ingestão alimentar para manter concentrações saudáveis ​​no organismo.

Considerando nossa demonstração de que C15:0 e C17:0 são ácidos graxos dietéticos ativos, revisamos a literatura em busca de evidências que apoiassem ou refutassem a classificação de C15:0 e C17:0 como potenciais ácidos graxos essenciais.

Devido às correlações diretas relatadas entre a ingestão dietética de C15:0 e as concentrações circulantes de C15:0, indicando que os principais fatores determinantes da concentração circulante de C15:0 são a dieta, e às evidências de produção endógena de C17:0, apenas o C15:0 apresentou evidências que o apoiassem em todos os três critérios, sendo consistente com sua classificação como um potencial ácido graxo essencial…

A inflamação crônica de baixo grau, impulsionada por quimiocinas e citocinas pró-inflamatórias, contribui para comorbidades cardiometabólicas e para o processo de envelhecimento.

Neste estudo, a suplementação oral diária com C15:0 e C17:0 demonstrou que a suplementação com C15:0 e C17:0 pode ser eficaz para melhorar a função e a função dos ácidos graxos essenciais. O C17:0 reduziu os estados pró-inflamatórios em camundongos obesos com síndrome metabólica, bem como diminuiu os biomarcadores pró-inflamatórios em sistemas de células humanas primárias que mimetizam a inflamação crônica…

Dislipidemia e hiperglicemia são componentes da síndrome metabólica, um conjunto de condições que afeta aproximadamente 1 em cada 3 pessoas no mundo. A síndrome metabólica aumenta o risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas e mortalidade por todas as causas.

Em nossos estudos, a suplementação oral diária com C15:0 durante 12 semanas reduziu o colesterol total e a glicose em um modelo in vivo com síndrome metabólica”.

AGCI e Redução de risco de doenças

Os efeitos da suplementação oral, foram exaustivamente estudados “in vivo” para problemas cardio metabólicos, inflamação de forma geral e a nível hepático. Além disso, avaliado em problemas hematológicos e doenças fibróticas.

Quanto maior o consumo de AGCI, menor o risco das seguintes doenças:

– obesidade, diabetes tipo 2

– doença cardiovascular, síndrome metabólica

– inflamação crônica

– esteatose hepática não alcoólica

– doença pulmonar obstrutiva crônica

– câncer pancreático

– todas as causas de mortalidade

– repara disfunção mitocondrial

– reduz glicemia, triglicérides, melhora o colesterol, na dose de 35 mg/kg de peso

– melhora anemia hemolítica na dose de 35 mg/kg de peso

Dosagem dos AGCI para resultados

Para avaliar esses benefícios, a dosagem de C15:0, foi de 35 mg/kg de peso, em ratos Dawley.

Com 30 minutos, a concentração no plasma de C15:0 já havia subido, chegando no seu pico em 1 hora após a ingestão, sendo que nas 24 h seguintes, manteve-se em nível basal.

Chegou-se a elevar a dosagem para 350 mg/kg de peso, sem efeitos desfavoráveis.

Uso diário da gordura láctea na pratica

Para se conseguir a dosagem diária dessa gordura láctea essencial, ácido pentadecanoico (C15:0) e que não produzimos, nosso corpo precisa para:

– melhorar a função mitocondrial

– aumentar a proteção de ATP

– reduzir o risco de obesidade e diabetes

– estimular o crescimento de cabelo

– reduzir inflamação, colesterol, triglicérides e glicemia

Concentração nos produtos lácteos

– leite integral tem 4% de gordura, manteiga rem 20 vezes mais gordura do que o leite integral

– ghee tem 25 vezes mais gordura do que o leite integral

Dosagens na pratica diária

– 2 a 3 copos de leite

– manteiga de 1 a 3 colheres de sopa

– manteiga ghee de 1 a 2 colheres de sopa

Gordura láctea não inibe metabolismo da glicose como a gordura saturada

Para os tecnicamente inclinados:

A grande diferença entre a forma de metabolização das AGCI, é que só ocorre parcialmente da mesma forma das gorduras saturadas, que é por beta-oxidação.

Na beta-oxidação, a gordura é inicialmente convertida em acetyl-CoA, que permite a entrada no ciclo de Krebs.

Já as AGCI, são primeiro convertidas em ácido succinico, e então em succinyl-CoA, que entram no ciclo de Krebs ajudando a transferir eletrons na mitocôndria. 

Veja a explicação do expert em medicina bioenergética Georgi Dinkov:

“Como o aumento dos níveis de acetil-CoA tem um efeito inibitório sobre a piruvato desidrogenase (PDH), uma dieta rica em gorduras, composta principalmente por ácidos graxos de cadeia par, resultaria na redução do metabolismo da glicose, mesmo que todas as gorduras fossem do tipo AGS (ácidos graxos saturados), conforme o Ciclo de Randle.

No entanto, se essas gorduras forem de cadeia ímpar e entrarem no Ciclo de Krebs como ácido succínico (ou seja, sem afetar a proporção acetil-CoA/CoA), praticamente nenhuma redução no metabolismo da glicose seria esperada. De fato, o ácido pentadecanoico (PA) foi descrito em estudos japoneses como estimulante da função mitocondrial e da produção de ATP, o que, em última análise, resultou em melhora do crescimento capilar.

Os pesquisadores japoneses chegaram a registrar uma patente para o tratamento da queda de cabelo com PA e, nessa patente, opinaram que outros ácidos graxos de cadeia ímpar com comprimento semelhante, especialmente o ácido graxo C17:0, teriam efeitos igualmente benéficos no crescimento capilar por meio do aumento da função mitocondrial (fosforilação oxidativa).”

De forma mais simples, quando a sua ingesta de gordura é muito alta (mais de 35 gr) a habilidade do corpo em consumir (queimar) a glicose na sua mitocôndria é reduzida.

Em vez disso, os AGCI são transportados por via das glicólises, que é extremamente ineficiente e produz bem menos moléculas de ATP por molécula de glicose.

Dinkov resume:

“Os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) não têm o mesmo efeito inibitório que os ácidos graxos de cadeia média (AGCM) na queima de glicose, porque seu produto metabólico final não é convertido em acetil-CoA, mas sim entra no ciclo de Krebs como succinil-CoA. 

Na prática, isso significa que você não precisa restringir o consumo de laticínios integrais, pois eles não afetarão sua capacidade de queimar glicose”.

Referências bibliográficas:

– The Lancet November 24, 2018; 392(10161): 2288-2297

– Scientific Reports 2020; 10: 8161

– Scientific Reports March 23, 2017; 7: Article number 44845

– Scientific Reports 2020; 10: 8161, Results

– Scientific Reports 2020; 10: 8161, Oral C15:0 achieved active concentrations in vivo

– Haidut.me December 5, 2023

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