C15:0 e prevenção de câncer

Câncer era raridade no século 19, porém tornou-se na metade do século 20, a doença que mais cresceu, apesar de todos os avanços em diagnóstico e tratamento.

Os fatores convencionais de risco como tabaco, álcool e exposições ambientais, tem sido bem documentado e atacado, mas mesmo assim o crescimento persiste.

Porém, algo que pode ser parte do problema, e ainda mal valorizado é a mudança da composição das membranas celulares.

Importância da estrutura da membrana celular

De acordo com publicação na Cureus, aonde se analisou a mudança da ingesta de gorduras no último século e suas consequências, observou-se um aumento do consumo de ácido linoleico (LA) nesse período, promovendo alterações das estruturas e função das membranas celulares.

Isso pode ser um fator importante na promoção de câncer, pois um nutriente se tornou deficiente na dieta moderna, impedindo o reequilíbrio da função celular, fundamental na prevenção do câncer.

Mudanças das gorduras da dieta e aumento de câncer

A incidência de câncer no século 19, era cerca de 60 a 80 casos para 100 mil pessoas.

Porém, por volta de 1950 apareceram fatores que influenciaram esse aumento, como tabagismo, industrialização, maior precisão em diagnósticos e também o aumento do uso de óleos de sementes e dos alimentos refinados processados que também contém esses óleos.

Nessa época, a incidência era de 130 a 160 casos por 100 mil pessoas e, em 1975 chegava a 400 casos para cada 100 mil.

E continuou subindo, pois em 1992 era 505 para 100 mil.

No mesmo período LA aumentou muito

No século 19, o consumo de LA era 1% a 2% do total de ingesta nas dietas tradicionais.

Mas a maior mudança alimentar no século passado foi o aumento do consumo de LA, um ômega 6 polinsaturado (PUFA), que atualmente se tornou a gordura mais consumida no século.

Triplicou o seu consumo, chegando de 7% a 10% do total de energia ingerida.

Isso reflete a mudança do depósito de LA no tecido gorduroso de 9% em 1959 para 21,5% em 2008.

Houve a substituição de consumo de gordura de origem animal por óleos vegetais, manteiga, sebo bovino e óleo de coco, que foram substituídos por cártamo, girassol, milho e soja.

Essa mudança do tipo de gordura consumida, moldou a composição dos tecidos humanos, criando em desequilíbrio na saúde.

Ação do LA nas suas células

LA desempenha um papel bioquímico essencial no nosso corpo, na estrutura e função das membranas celulares.

Isso é importante pela sua ação na mitocôndria, a estrutura dentro da célula que gera energia.

Esse organela depende de cardiolipina, uma molécula especial de gordura encontrada na membrana interna da mitocôndria..

Cardiolipina age como um andaime de sustentação de proteínas que geram energia.

E o LA é a unidade que o nosso corpo usa para construí-la.

LA em excesso

Quando ocorre o aumento excessivo de LA, ocorre desregulação inflamatória da membrana intra mitocondrial.

Dessa forma, o LA fica muito susceptível à dano oxidativo, gerando produtos reativos como:

– 4-hydroxynonenal (4-HNE)

– malondialdehyde (MDA)

Esses produtos induzem disfunção mitocondrial, inflamação crônica e ação mutagênica induzindo câncer por lesão de DNA.

C15:0 – Estabilizador de membrana celular

O ácido pentadecanóico (C15:0) é uma gordura saturada originada quase exclusivamente de animais ruminates, como bovinos, ovelhas e cabras, além de alimentos como leite integral, queijo e carne.

Reflete o grau de consumo diário de gorduras de laticínios e carnes desses animais.

Dieta moderna perdem essa gordura

O consumo dessas gorduras se tornaram deficientes, pois as orientações condenavam essas gorduras saturadas, só valorizando polinsaturadas de óleos de semente, desde 1950.

Isso comprometeu a composição das membranas celulares das pessoas, alterando a resposta metabólica e gerando inflamação crônica.

Principais vantagens do C15:0

– Por ser uma gordura saturada de número ímpar de átomos de carbono, diferente da maioria das gorduras saturadas, é mais flexível apesar de manter sua estrutura intacta.

É resistente, e mantem-se em ordem mesmo no estresse metabólico ou inflamatório.

– Suporta à oxidação, com grande estabilidade nos desafios de estresse oxidativo.

– Influencia o metabolismo celular por ativar o AMPK, a chave reguladora do equilíbrio energético e adaptação ao estresse.

Reduz susceptibilidade à ferroptosis, uma forma de morte celular dependente do ferro induzida por lipoperoxidação.

Ou seja, C15:0 reintroduz a estabilidade nas membranas celulares e imunidade, papeis centrais no controle de risco de câncer.

Referências bibliográficas:

– Cureus. 2025 Dec 23;17(12):e99954

– Metabolites 2024, 14(7), 355

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