A cerca de 50 anos atrás, após uma publicação nos Estados Unidos, de novas diretrizes alimentares, indicava-se para reduzirem a ingesta de sódio, apesar de não haver evidências científicas que suportavam isso.
Assim adotou-se que o sal era ruim, pois aumentava a pressão arterial, podendo ser letal.
Porém, não podemos ignorar que em condições especiais como insuficiência cardíaca, consumir muito sal pode criar exacerbação dessa condição, correndo o risco de até necessitar internação hospitalar para tratamento.
Com essas preocupações, muitos do meio médico passaram a admitir que o sal era ruim, entendendo que todo sal é igual, mas isso não é verdade.
Reduzir o sal pode comprometer a sua qualidade de vida
Por outro lado, esse mantra do risco de comprometimento da pressão arterial, deixa todos assustados com o sal, quando na verdade se faz redução drástica do mesmo, normalmente o que se consegue é menos de 1% dos valores pressóricos prévios.
O que surpreende, é o fato dos médicos raramente reconhecerem que pacientes no hospital são tratados rotineiramente usando grandes quantidades de solução venosa de soro fisiológico (cloreto de sódio a 0,9%).
Em muitos casos, recebem até 10 vezes a quantidade diária de cloreto de sódio, mas a pressão arterial pouco se altera.
Porém, alguns indivíduos são sensíveis ao sal e podem ter grandes aumento de pressão arterial quando consomem moderada quantidade do mesmo. Mas isso não se aplica a maioria da população.
De acordo com estudo em 181 países, observou-se que reduzir o consumo de sal reduziu a expectativa de vida.
Veja os exemplos:
– Baixo nível de sódio (hiponatremia) está fortemente associado com um risco de morte, pois quanto mais baixo mais perigoso.
Cerca de 15% a 20% dos pacientes hospitalizados, tem níveis de sódio baixo na admissão.
– Reduzir consumo de sal, aumenta o risco de hiponatremia
– Restringir sal em pacientes hipertensos os torna 9,9 vezes mais susceptíveis a desenvolverem hiponatremia.
– Muitas medicações para a pressão arterial e drogas psiquiátricas colocam os pacientes em sérios riscos de hiponatremia.
– Há certos pacientes mais sensíveis à restrição de sal, o que pode levar a hipotensão por baixa da pressão arterial.
– Baixa ingesta de sódio aumenta em 34% risco de doença cardiovascular, taquicardia, fibrilação atrial e morte.
– Com o envelhecimento, os rins tem a sua habilidade de responder as mudanças dos níveis sanguíneos de sódio com mais sensibilidade.
Sintomas de hiponatremia que levam pacientes à emergência
– Fadiga, confusão mental, dificuldade de concentração e insônia
– Taquicardia, fadiga crônica, dor de cabeça, disfunção erétil, piora da diabetes, hipocloridria
Cuidados com o sal na dieta
Muitas pessoas reduzem muito o sal e podem estar em situação de risco como comentei.
Porém, para usar o sal, deve ser o natural, ou seja, o marinho, ou o rosa do himalaia. Esse último é o melhor, por ter menos risco de contaminação com microplásticos.
Essa orientação é para quem não é sensível ao sal, certamente.
Lembre-se que a nossa alimentação hoje em dia, é mais rica em sódio do que potássio, o que cria uma situação não saudável nesse equilíbrio, especialmente se consome muitos alimentos ricos em sal refinado (alimentos processados) que geram:
– falta de minerais que são necessários para criar homeostase
– contém aditivos problemáticos e químicos não saudáveis (bicarbonato de sódio, hidróxido de sódio e carbonato de bário). Portanto, consuma sal natural, o que pode ajudar as pessoas nas queixas e sintomas abordados, mas converse com o seu médico se no seu caso pode ser útil.
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