Revendo métodos de tratamento de doença cardiovascular

Apesar dos métodos tradicionais padronizados de tratamento de doença cardíaca, como angioplastia com stent e medicações farmacêuticas ou através de revascularização da artéria coronariana serem efetivos, eles não atingem a causa dos problemas cardíacos.

São importantes nas emergências, pois reabrem ou revascularizam arteriais bloqueadas, com enxertos, restaurando o fluxo sanguíneo e aliviando a dor no peito.

Com certeza salva vidas em situações agudas, porém não estacionam a progressão da doença, deixando a pessoa exposta a futuros problemas de saúde.

Mas, há consequências como: 

– Stents tem suas complicações: 

Durante o primeiro ano, cerca de 1% dos pacientes que fizeram o procedimento com stents, desenvolveram trombose, intra stent.

Cerca de 5% a 10% dos pacientes podem requerer repetir o procedimento, mesmo que o stent se mantenha pérvio, e as partes não tratadas podem desenvolver novas obstruções.

A literatura mostra que 20% a 30% dos pacientes desenvolvem novas lesões arteriais, nos próximos 5 anos depois do procedimento do stent.

O motivo é que a doença arterial não acaba só com o procedimento.

– Cirurgia de “by-pass da artéria coronariana” salva vidas, mas seus riscos sistêmicos continuam.

O procedimento fornece um fluxo sanguíneo mais durável, sendo que 90% dos pacientes submetidos à cirurgia, adquirem vascularização completa, comparado com 60% a 70% dos pacientes com procedimento de stent.

Porém, os by-pass com uso de veia safena, tem uma média duração de cerca de 10 anos.

Entendendo o contexto completo

Tanto o uso de stents ou cirurgia de by-pass, tem suas limitações, pois a aterosclerose causadora do problema, está ocorrendo em todo o sistema arterial, por agressão endotelial, depósito de gordura e inflamação.

Na verdade, cerca de 30% a 40% dos pacientes com doença coronariana, apresentam biomarcadores inflamatórios elevados, como interleukin-6 (IL-6), ou Proteina C Reativa (PCR), fatores que não mudam com a simples intervenção por stent ou enxerto.

Tratamento com medicação para o colesterol

No controle das doenças cardiovasculares, a medicação mais comumente usada são as estatinas para redução do LDL colesterol ruim.

O pensamento generalizado, é que com a redução do LDL colesterol, haverá diminuição de risco de ataque cardíaco.

Nos pacientes com doença cardíaca prévia, as estatinas reduzem as taxas de eventos, mas isso não significa que redução de colesterol automaticamente resolve a causa de doença cardíaca.

Limites de ação das estatinas

Promovem redução de risco relativo de eventos cardiovasculares mais importantes em cerca de 25% a 35% em pacientes de alto risco.

Mas mesmo a melhor estatina disponível, ainda assim esse método tem suas deficiências terapêuticas.

A Rosuvastatina, por exemplo, reduz eventos cardiovasculares em 44% dos pacientes, porém, promove aumento de PCR, que é associado com maior risco de diversas condições, como ataque cardíaco, derrame e falência cardíaca, mesmo quando os fatores de risco cardiovasculares tradicionais estão controlados.

Efeitos associados:

Cerca de 15% dos usuários de estatina apresentam fraqueza muscular.

Pode ocorrer também rabdomiólises, uma degradação de tecido muscular que pode levar a dano renal e hepático.

Há aumento de risco de Diabetes tipo 2, no período de uso de cerca de 4 anos.

Resumo: as estatinas promovem um grau de alívio, mas não resolvem o problema.

Simplesmente reduz os seus números, mas não recupera a saúde vascular, ou combate o estresse oxidativo, que desencadeia novas obstruções.

O processo inflamatório e de dano arterial continua o mesmo, a menos que você mude o seu estilo de vida.

Influência do ômega 6 (LA) na doença cardíaca

– As dietas modernas tem alta concentração de ômega 6 (LA).

No começo dos tempos, a ingesta de LA era 1% a 2%, mas hoje chega de 25% a 30%. Muito desse aumento se deve ao aumento de consumo de ácido graxo polinsaturado (PUFAs) presente nos óleos vegetais, pois se passou considerar esses óleos mais saudáveis que gordura saturada animal.

– Promovem desruptura mitocondrial lesando as artérias.

Com a agressão oxidativa causada pelos radicais livres, lesa as artérias, promove geração de placas, que crescem agressivamente.

A geração de LDL oxidado (OxLDL) é causada pelo ômega 6 (LA), estimulando inflamação.

– Ômega 6 contribui para gerar trombos arteriais.

Conforme o LDL colesterol, associado à quantidade que absorve na dieta, mais LDL oxidado (OxLDL) é produzido.

Com a substituição de gordura saturada por óleos vegetais ricos em ômega 6 (LA), geram aumento de mortalidade cardiovascular em cerca de 62% em 5 anos, apesar de reduzir o colesterol em 8 mg/dl.

Referências bibliográficas:

– CDC, “Heart Disease Facts”

– World J Cardiol 2025; 17(8): 110163

– N Engl J Med. 2008 Nov 20;359(21):2195-207

– BMJ. 2013 Feb 4:346:e8707

– Br Med J 1965; 1

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