Estamos vivendo numa época em que as suas escolhas alimentares estão diretamente ligadas com a sua saúde pessoal e do ambiente, aonde a distinção entre carne de animal à pasto ou confinado se tornou bem importante.
Apesar de todas as carnes fornecerem nutrientes essenciais, forma da criação impacta fortemente na qualidade do produto final, tanto nutricionalmente como para o ambiente.
O animal confinado ou terminado no confinamento se alimenta à base de soja e milho, algo que não foram designados para comer.
São usados métodos de produção em massa associados a químicos sintéticos, que se disseminou nos últimos 70 anos. Ficam em pequenos espaços, maior risco de parasitas e só sobrevivem com vacinações e antibióticos.
Já o animal criado à pasto se alimenta do capim e vai depender da qualidade dessa forrageira e do manejo, com as rotações de pastagens.
Nestas condições, raramente fica doente, pois se alimenta como foi designado para fazer, se movimenta nas pastagens, sem se expor a ambientes inóspitos.
Grau de toxicidade
Esta é a principal razão para escolher animal à pasto, aonde você não vai encontrar esses elementos tóxicos como nos USA, Austrália, África do Sul, México, Japão, Nova Zelândia e Chile.
Nesses países se usam muito antibiótico, β agonista e esteroides anabolizantes. Além dessas medicações, recebem na dieta, muito pesticida que chegam a ser mais de 100 vezes o que é permitido no consumo humano de grãos.
Esses pesticidas ficam depositados nos tecidos gordurosos por muito tempo, podendo estar presente na carne para consumo.
Porém, esses animais ainda necessitam de muitas intervenções químicas, como:
– inseticidas para controle de moscas
– vermífugos para controle de parasitas
– vacinas e antibióticos para prevenção de doenças
– rodendicidas e agentes de controle de pestes
Tudo isso contrasta com o modo de criar o gado à pasto, que só usa métodos naturais de controle quando necessário.
Potencial disruptor endócrino
A imensa maioria das pessoas não tem esse conhecimento, que é extremamente importante.
O uso de pesticidas na produção dos grãos e sementes, usado na ração animal, promove desregulação hormonal.
Esses químicos, tem ação mimetizando os hormônios, ativando ou bloqueando-os.
Com isso, causam problemas de desenvolvimento, reprodução, neurológico e imunológico.
Os fito estrogênios que são formados, influenciam a atividade estrogênica, tanto no corpo do homem como da mulher, sem esquecer nas crianças também.
Portanto, a carne e a gordura desses animais apresentam acúmulos desses químicos.
Por outro lado, nos animais criados à pasto não ocorre esse aumento de fito estrogênio, sendo portanto, uma carne e gordura mais sadia.
Diferenças nutricionais
Mais uma vantagem do gado de animal à pasto, que além de ter menos substâncias desfavoráveis, apresenta nível nutricional melhor.
Vitaminas
A concentração de vitamina B1 é cerca de 2 vezes maior, enquanto a vitamina B2 é 3 vezes maior nos animais à pasto.
Em relação à vitamina E é 4 vezes maior a sua concentração.
Ácidos graxos
Já os ácidos graxos ômega 3:ômega 6, há um equilíbrio fisiológico na proporção de 1:1 desses elementos. No animal confinado, isso aumenta para 1:20, até 1:50, o que torna a produção altamente inflamatória.
Isso vale também para o ácido linoleico conjugado (CLA), que tem aumento de até 500 vezes. É um protetor de câncer e colabora na queima de gorduras.
Apresenta maior concentração de ômega 3, que é anti-inflamatório, fundamental para prevenir e tratar doenças degenerativas.
Já o ômega 6, que é inflamatório, disruptor endócrino e altera a ecologia intestinal, se encontra em baixa quantidade.
Fito nutrientes
Estes compostos presentes também em frutas e vegetais, apresentam muitos efeitos benéficos para a saúde como:
– tempenoides que tem ação anti-inflamatória, antiviral e anti carcinogênicos.
– polifenóis são poderosos anti-inflamatórios, protetor de câncer, doenças hepáticas, cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes tipo 2, obesidade, melhoram a imunidade e a flora intestinal.
– carotenoides: precursores de vitamina A
– tocoferóis: componentes da vitamina E
Quanto mais os animais são criados em pastagens, maior a concentração de fito nutrientes, quando se compara com animais de confinamento.
Portanto, carne e leite desses animais é mais rica nestes elementos.
Composição da gordura da carne
Animais de confinamento tem carne com aumento da composição de gordura bem maior do que historicamente tínhamos nos animais.
Por outro lado, a carne de animais à pasto é mais magra.
De acordo com estudo, a gordura de animal à pasto contém 45% menos ácidos graxos polinsaturados, 66% menos ácido linoleico (ômega 6) e 36% mais ácido esteárico, que é gordura saturada boa.
A composição da gordura da carne dos animais confinados rica em ômega 6 e o mesmo padrão dos alimentos industrializados modernos, ou seja, aumenta o efeito desfavorável para a saúde do ômega 6.
O que melhora um pouco é o fato de o gado ser ruminante, e com isso conseguir converter parte de ômega 6 dessas carnes em gordura monoinsaturada e saturada, que são saudáveis.
Saúde metabólica do animal
Isso impacta na qualidade da carne. As pesquisas mostram que animais que ficam bastante tempo em confinamento apresentam:
– glicemia elevada
– aumento de triglicérides
– maior elevação de marcadores de estresse oxidativo
– degradação de proteínas
– resistência à insulina
– nível energético reduzido
– sistema de desintoxicação desregulado
– maior concentração de bactérias e toxinas
– excesso de antibióticos criando resistência às medicações tanto nos animais, como nos humanos que consomem essa carne
Isso não ocorre na carne de animal à pasto, e portanto, isso pode estar influenciando a saúde do consumidor.
Resumindo:
Considerando a visão completa entre animais criados à pasto e o confinado, fica mais fácil entender a opção certa.
O animal à pasto tem menor exposição a tóxicos, melhor densidade nutricional, composição de gordura superior e mais saúde animal.
Apesar de todas as carnes bovinas terem nutrientes essenciais, como zinco, vitaminas do complexo B e creatina, a de animal à pasto ainda tem fito nutrientes.
A escolha de qual carne consumir, não precisa ser tudo ou nada, ou seja, é perfeitamente aceitável consumir a carne de animal à pasto quando possível e a de confinamentos em outros momentos, gerando um bom resultado nutricional para você.
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