Após a segunda grande guerra mundial, houve uma mudança dramática da forma do gado se alimentar.
Antes disso, os animais eram criados à pasto, com uma proporção de ácidos graxos poliinsaturados de menos de 2%, comparado com hoje, que é mais de 25%.
Essa estratificação das gorduras, só vem colocando a saúde dos animais e consequentemente a nossa em aumento de riscos.
E isso impacta na qualidade nutricional da carne, laticínios e ovos, gerando problemas para a saúde humana.
Nós somos o que comemos, e o gado também é o que come.
Nesses últimos 70 anos, estamos tendo mudanças bem importantes na alimentação do gado, o que reflete diretamente na nossa saúde.
Além de ingerirmos muitos alimentos industrializados ricos em óleos vegetais, os animais também enfrentam essa condição criada pelo homem.
Hoje a qualidade da carne, laticínios e ovos apresenta outra distribuição das gorduras, bem importante em ômega 6, derivada da soja e milho.
Com essa produção de monocultura, produz-se alimentos ricos em ácidos graxos poli-insaturados em abundância, com redução da qualidade do alimento e do ambiente, sendo negativo para o gado e consequentemente para os humanos, que se alimentam desses produtos.
Bagaço de cana: a nova fonte alimentar para o gado
Com o aumento da indústria de combustível à base de etanol, há cerca de 20 anos, passou-se a aproveitar o bagaço de destilarias com solúveis, gerando subproduto da produção de etanol.
Aumento dos ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) nos tecidos gordurosos
Tanto os humanos como os animais, não podem produzir ácidos graxos poli-insaturados, e o que encontramos na composição das suas gorduras é gerado pelo que se consome.
Os suínos e aves de hoje contém mais PUFAs do que as gerações passadas.
Com isso aumenta a concentração de ácido linoleico (LA), nesses animais e reduz a gordura saturada.
Consequentemente ao consumirmos esses animais confinados à base desses grãos, para cada 100 gr de gordura de porco, haverá 29 gr de PUFA, que é a mesma quantidade encontrada em 100 gr de óleo de canola.
Consequências na saúde do gado, com essa dieta rica em PUFA
Os ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) são moléculas instáveis, altamente oxidáveis, em contato com a luz, calor, radicais livres ou metais pesados.
Isso gera lipoperoxidação, causando estresse oxidativo, gerando produtos tóxicos como o malondialdehydo (MDA), thiobarbituricos (TBAPS) e e 4-hydroxiponenal (4-HNE), todos marcadores clássicos de oxidação.
O processo oxidativo ocorre durante a alimentação dos animais por consumirem gorduras oxidadas ou durante o processo de digestão.
Veja os efeitos:
1. Disbiose intestinal gerado pelo consumo de grãos, por crescimento de bactérias patogênicas, como o campysobacter e acinectobacter.
2. Disfunção metabólica: o consumo de grãos ricos em PUFA, geram mais eficiente ganho de peso, com menor ingesta calórica, pelos efeitos metabólicos e hormonais.
Veja o comentário do Dr. Peat:
“Os ácidos linoleico e linolênico, os ‘ácidos graxos essenciais’, e outros ácidos graxos poli-insaturados, que agora são fornecidos aos porcos para engordá-los, na forma de milho e soja, fazem com que a gordura dos animais seja quimicamente equivalente ao óleo vegetal. No final da década de 1940, toxinas químicas foram usadas para suprimir a função tireoidiana dos porcos, fazendo com que engordassem enquanto consumiam menos alimentos. Quando se descobriu que isso era cancerígeno, descobriu-se que o milho e a soja tinham o mesmo efeito antitireoidiano, permitindo que os animais fossem engordados a baixo custo. A gordura dos animais torna-se quimicamente semelhante às gorduras presentes em seus alimentos, tornando-a igualmente tóxica e igualmente engordativa”.
3. Comprometimento do sistema antioxidante endógeno: as principais defesas antioxidantes endógenas, como a glutationa peroxidase e o superóxido dismutase são comprometidas pelos subprodutos de oxidação
4. Lesão cerebral: o alto consumo de PUFAs aumenta o processo oxidativo no plasma, fígado e cérebro.
A dieta maternal nesses casos, aonde ocorre alta oxidação de ácido linoleico, acelera danos cerebrais por desruptura cerebral na micro vascularização cerebral e coagulação sanguínea.
5. Lesão oxidativa sistêmica: além dessa explosiva oxidação sistêmica, os grãos ricos em PUFAs, contém anti nutrientes que interferem na digestão, absorção e consequentemente no metabolismo, como inibidores de tripsina, lectinas, ácido fitico, saponinas e groitogenicos.
Com toda essa tempestade oxidativa, aumentam as consequências na saúde humana, pelo consumo dessas proteínas distorcidas do que tínhamos no passado, alimentando problemas nocivos e degenerativos nas pessoas que consomem esses alimentos.
E fica a dica:
Se suínos e frangos, consomem muitos PUFAs, quando nós os consumimos, estaremos ingerindo diretamente os óleos (PUFAs) desses grãos.
Portanto, a melhor escolha é priorizar carne de gado, de preferência à pasto, pois pelo fato de ser um ruminante, consegue fermentar e transformar parte de ácidos graxos polinsaturados das rações em gordura saturada, a verdadeira gordura saudável, promovendo a melhor saúde.
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