Ferro – o acelerador silencioso de Alzheimer

A Doença de Alzheimer só aumenta, e a expectativa para 2050, é que o número de pessoas com essa condição alcance mais de 150 milhões de pessoas.

Em paralelo, com o envelhecimento, há uma tendência de se acumular cada vez mais ferro no cérebro, o que contribui para o Alzheimer.

Apesar do ferro ser essencial para o funcionamento celular normal, em excesso leva a estresse oxidativo, inflamação e degeneração neural.

Mecanismos da ferrugem cerebral

De acordo com uma publicação no Aging Medicine em 2024, avaliou-se como o aumento do ferro induz a Doença de Alzheimer.

1. Na região do cérebro responsável pela memória, atenção e auto consciência, conhecida como precuneus, e a mais vulnerável pelo estresse oxidativo, induzido pelo ferro.

Diversos estudos mostram que indivíduos com leve distúrbio cognitivo e Doença de Alzheimer têm maior concentração de ferro nessa área.

2. O excesso de ferro altera placas Beta Amiloide e proteína Tau.

Promove degradação das placas Beta Amiloide e emaranhados de proteína Tau. Isso promove a morte de neurônios e declínio cognitivo.

3. Alteração mitocondrial com aumento de oxidação.

O excesso de ferro leva a aumento de produção de radicais livres, causando danos celulares e comprometimento da função mitocondrial. Com isso há perda de energia cerebral e aumento de morte de neurônios.

4. Ferroptosis causa morte celular.

Na região do precuneus, inicia-se a ferroptosis, promovendo falha mitocondrial.

5. Células cerebrais são susceptíveis à ferrugem

As células cerebrais, em especial os neurônios, são extremamente ativas e precisam de muita energia, além de conterem alta concentração de gorduras.

As gorduras polinsaturadas como docosahexaenoic acid (DHA) e ácido aracdonico (AA), são componentes básicos nas membranas celulares, mantendo a flacidez da membrana, plasticidade de sinapse e sinalizador neuronal.

E essas gorduras são altamente vulneráveis à ferrugem causada pela ferroptosis.

6. Oxidação neuronal corrói a função cerebral

A ferroptosis causa morte neuronal, e quanto mais neurônios são destruídos, mais aceleram os sintomas de debilidade, como perda de memória, declínio cognitivo associado à dificuldade de movimentação e coordenação.

Como se prevenir

A Doença de Alzheimer evolui silenciosamente, e pela presença de ferro, o processo se torna acelerado.

Muitas vezes, quando os pacientes começam a se preocupar com os sintomas, já mostra um momento importante da instalação da doença.

O ideal é a prevenção e bons hábitos para se evitar isso.

O acompanhamento do paciente por um profissional médico familiarizado com a prevenção e oxidologia, é importante.

Deve-se, além dos controles normais, avaliar o nível de ferro e ferritina, ao menos 2x/ano.

– O ideal é que a ferritina fique abaixo de 100, de preferência próximo de 50 ng/ml.

Acima de 100, representa possível inflamação e acima de 200, doença degenerativa.

– Há situações de pacientes com hemocromatose, uma condição genética de reter ferro, que requer uma atenção especial, pois não tem a capacidade de eliminação do ferro.

– Hábitos inadequados que aumentam o ferro

Deve-se evitar o consumo de produtos que tenham ferro adicionado, como alimentos, suplementos ou cozinhar em utensílios de ferro.

Aconselha-se também o uso de filtro de água para evitar a ingesta desse mineral. Para isso, aconselha filtro de osmose reversa.

Como reduzir os níveis de ferro no organismo

Doação de sangue, dependendo do caso de cada pessoa.

Porém, é necessário a reposição de minerais perdidos no processo de retirada de sangue, caso contrário, que pode vir a estimular mais ainda o depósito de ferro no corpo.

É necessário o acompanhamento médico para essa correção.

Referências bibliográficas:

– Frontiers in Aging Neuroscience. March 22, 2022;14:830569

– Current Issues in Molecular Biology. January 16, 2025;47(1):60

– J Am Heart Assoc. Mar 16, 2024;13(6):e031732- Front Cell Dev Biol. Jan 14, 2022;9:817104

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