Eficiência mitocondrial e saúde intestinal

A inter-relação entre função mitocondrial e microbioma, é o que determina saúde ou doença.

Quando se tem disfunção mitocondrial, não é possível criar energia celular eficiente para garantir uma saúde do trato gastrointestinal. 

Porém, se a mitocôndria tem funcionamento saudável, haverá supressão do crescimento de bactérias patogênicas e suporte benéfico para a população microbial.

Diferenças entre bactérias benéficas e patogênicas

O nosso intestino contém primariamente dois tipos de bactérias grans negativas.

Benéficas

Obrigatoriamente são anaeróbicas, que não sobrevivem na presença de oxigênio e são essenciais para a saúde.

Elas não produzem endotoxinas lesivas e contribuem positivamente para a produção de ácidos graxos de cadeia curta, como butirato, propionato e GLP-1.

A boa função intestinal requer energia para manter o ambiente livre de oxigênio no intestino grosso, onde residem 99% dos microrganismos.

Patogênicas

Quando se tem insuficiência de energia mitocondrial, haverá vazamento de oxigênio, o que compromete as bactérias anaeróbicas, desequilibrando o microbioma.

A bactérias patogênicas, ou anaeróbicas facultativas, podem sobreviver no meio com oxigênio, além de serem mais lesivas, pois apresentam endotoxinas nas suas paredes celulares.

É importante esse delicado equilíbrio entre bactérias benéficas e patogênicas no nosso trato digestivo.

Há fatores que destroem esse equilíbrio, causando agressão e envenenamento da mitocôndria, como ácido linoleico (LA), químicos disruptores endócrinos presentes em micro plásticos, xenoestrogênios e campos eletromagnéticos (EMF).

Cerca de 99% das bactérias intestinais residem no cólon (intestino grosso), enquanto o intestino delgado contém poucas bactérias devido ao seu alto nível de oxigênio.

As bactérias patogênicas toleram o oxigênio, enquanto as bactérias benéficas só sobrevivem em ambiente sem oxigênio, no nosso cólon.

Em condições normais, o nível de oxigênio no cólon é mantido a menos de 0,1%, quando na atmosfera é em torno de 20 a 21%.

Nessa condição de oxigênio baixo, é fundamental para que as bactérias boas sobrevivam.

Quando a produção de energia celular é baixa pela disfunção mitocondrial, as junções celulares no cólon começam a afrouxar permitindo que o oxigênio entre no seu cólon.

Com isso forma-se um ambiente hostil para as bactérias boas e permite que as bactérias patogênicas assumam o controle, gerando insuficiência de produção de energia pela mitocôndria.

Com isso, as bactérias patogênicas proliferam, produzindo endotoxinas e lesando o revestimento do intestino, criando pequenos buracos que permitem que proteínas estranhas entrem na sua circulação e o oxigênio entre no cólon.

Consequentemente, o refluxo de oxigênio compromete o ciclo da disbiose.

Sem um microbioma robusto e equilibrado, restaurar a saúde intestinal se torna quase impossível, perpetuando o seu estado de declínio.

Nesta condição, nem o melhor probiótico consegue ajudar.

Para restaurar a sua saúde, o foco tem que ser na restauração dos colonócitos (células da mucosa intestinal), eliminando tóxicos mitocondriais que comprometem a produção de energia celular.

Para quebrar o ciclo de disbiose, é necessário criar um ambiente que restaure as bactérias benéficas intolerantes ao oxigênio, criando o equilíbrio natural do intestino.

Estratégias dietéticas para reparar essa condição

O objetivo é manter a produção de energia mitocondrial, e evitar os agressores intestinais.

1. Reduzir o consumo de alimentos processados pela presença de LA, que é inflamatória e lesivo ao microbioma

2. Dieta sem fibras, vegetais, grãos, somente proteína animal por 1 semana. Pode-se associar arroz branco e polpa de frutas

3. Minimizar exposição à micro plásticos e toxinas ambientais por se tratarem de disruptores hormonais, ativando receptores endócrinos

4. Evitar ou reduzir a exposição à campos eletromagnéticos

5. Reduzir ingesta de produtos com defensivos agrícolas como o glifosato

6. Dentro do possível, evitar antibióticos presentes nos alimentos (proteína animal de confinamento)

Referências bibliográficas:

drrondo.com/campos-eletromagneticos-emf-doenca-da-era-digital/

drrondo.com/a-essencia-do-funcionamento-do-nosso-corpo/

drrondo.com/poluicao-por-microplasticos-um-novo-recorde-com-o-qual-voce-deve-se-preocupar/

drrondo.com/perigo-estrogeno-hormonios-alimentos-cancer-e-esterilidade/

drrondo.com/butirato-o-segredo-da-saude-intestinal/

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