O câncer de cólon retal é o 3º tipo de câncer mais frequente no mundo.
É uma patologia silenciosa, até que aparece sangramento nas fezes, dores abdominais acompanhado de perda de peso.
Sabemos que a dieta pode aumentar ou reduzir esse risco e entre as variáveis analisadas, observou-se:
1. Em um estudo realizado por pesquisadores da University of Oxford com mais de 542 mil pessoas, avaliaram 97 fatores dietéticos durante 16 anos aproximadamente.
Encontrou-se uma forte associação entre consumo de cálcio e redução do câncer de cólon.
Os indivíduos que consumiam cerca de 300 mg de cálcio por dia (+/- 1 copo de leite) tiveram uma redução de 17% de risco desse câncer.
Isso valia tanto para o consumo do cálcio em laticínios ou em suplementos.
Anteriormente uma metanalise reportada pelo World Câncer Research Fund de 2018, já mostrava redução de 14% no risco de câncer colo retal quando se consumia diariamente 200 gr de leite.
Veja a explicação dos pesquisadores sobre o mecanismo de ação do cálcio no estudo:
“O provável papel protetor do cálcio pode estar relacionado à sua capacidade de se ligar aos ácidos biliares e aos ácidos graxos livres no lúmen colônico, reduzindo assim seus efeitos potencialmente carcinogênicos.
Além disso, trabalhos experimentais em ratos demonstraram que a ingestão de níveis mais elevados de cálcio no lúmen colônico reduz a permeabilidade colônica, particularmente se os níveis de fosfato na dieta também forem elevados, ajudando assim a proteger a mucosa intestinal de lesões por conteúdos luminais potencialmente nocivos (por exemplo, ácidos biliares).
Outros trabalhos experimentais sugerem que o cálcio também pode ter efeitos diretos no tecido colônico; por exemplo, o cálcio pode promover a diferenciação das células epiteliais colo retais, aumentar a apoptose e reduzir o dano oxidativo ao DNA na mucosa colo retal. Estudos laboratoriais também sugerem que o cálcio na dieta pode reduzir a incidência de mutações do gene KRAS no cólon. Ou seja, o cálcio protege o cólon por neutralizar substâncias que lesam a mucosa intestinal, além de fortalecer essa mucosa.
Com isso, promove função celular saudável, apoptose, repara DNA e reduz expressão genética correlacionada com o câncer colo retal”.
2. Ácido Linoleico Conjugado (CLA)
É encontrada naturalmente na gordura do leite, com propriedade anti-inflamatória e anticâncer, além de ajudar no emagrecimento.
Nas inflamações crônicas, há maior risco de problemas intestinais, como intestino poroso (leaky gut), Síndrome do intestino irritável (IBS) e câncer colo retal.
A Nutrition Reviews de fevereiro de 2025, confirma isso:
“[O]s metabólitos do ácido linoleico conjugado produzidos por certa microbiota intestinal demonstraram um efeito anticancerígeno no CCR (câncer colo retal), influenciando vias de inflamação, proliferação e apoptose.”
3. Ácido Butirico
Trata-se de ácido graxo de cadeia curta que suporta saúde intestinal, nutrindo os colonócitos, reduz inflamação e aumenta as defesas naturais do intestino.
É produzido no cólon através de fermentação bacteriana das fibras alimentares, gerando energia as células colônicas.
Produz um muco que aumenta a integridade da barreira da mucosa intestinal.
4. Esfingomielina
Um tipo de lipídio encontrado na gordura do leite, que inibe a formação de câncer de cólon, interferindo nos estágios iniciais da formação tumoral.
5. Ácido pentadecanoico (C15:0)
É um ácido graxo essencial, importante para o metabolismo e saúde cardíaca. Reduz a inflamação, e o risco de peroxidação lipídica e ferroptoses, um tipo de morte celular que ocorre por estresse oxidativo e níveis anormais de ferro.
Quanto maior o seu nível, menos é o risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doença cardíaca, cirrose hepática não alcoólica.
Promove redução da disfunção mitocondrial, protege a produção de energia celular e combate a inflamação.
Além disso, o C15:0 promove:
– resistência às membranas celulares tornando-as mais fortes e mais resistentes ao estresse oxidativo
– promove a saída do LA dos nossos tecidos, especialmente das membranas celulares reduzindo a lipoperoxidação, estabilizando as estruturas antes que os danos ocorram
– protege a mitocôndria, e desacelera a neuro degeneração
– nos neurônios protege da ferroptosis, morte celular causada pelo ferro, levando a neuro degeneração
– preserva produção de energia, suporta longevidade celular e mantém a função cognitiva
– recupera a cardiolipina, que deixa a membrana celular mais estável e eficiente
6. Ácido Heptadecanoico (C17:0)
Também é um fosfolípide que complementa o C15:0, presente no leite cru de animal criado à pasto, e que é produzido em pequena quantidade no nosso organismo.
A combinação de C15:0 com C17:0, melhora os níveis de triglicérides, colesterol, insulina, leptina e PAI-1todos marcadores metabólicos associados com doença crônica.
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Referências bibliográficas:
– Best Practice & Research Clinical Gastroenterology. 2023 October; Volume 66,101839
– Centers for Disease Control and Prevention, Reducing Risk for Colorectal Cancer
– Nature Communications Volume 16, Article Number: 375 (2025)
– Health, January 17, 2025
– American Institute of Cancer Research, Colorectal Cancer Report. 2017
– Processes. 2021, 9(3), 454
– Nutrition Reviews. 2025 February; Volume 83, Issue 2, Pages e602–e614
– Science Direct, Butyric Acid
– Nutrients. 2023 May 11;15(10):2275
– Probiotics Antimicrob Proteins. 2022 Feb 2;14(3):407–414
– Foods. 2019 Aug 17;8(8):350
– University of Minnesota Extension, Grass-Fed Cows Produce Healthier Milk
– Metabolites 2024, 14(7), 355






