Como os óleos de sementes se tornaram tão importantes

Há mais de 100 anos, iniciava-se a produção de óleos de sementes industrializados e que passaram a se chamar mais tarde, óleos vegetais, com o intuito de parecer saudáveis.

Em 1865, não se consumia óleos de sementes. A gordura era proveniente de animais, na forma de sebo, banha e manteiga.

Agora, em média as pessoas consomem cerca de 65 gramas de óleos vegetais por dia.

De acordo com o Dr. Paul Saladino:

“O americano médio consome de 3 a 5 colheres de sopa de óleos de sementes por dia, e eles estão presentes em quase todos os alimentos ultra processados ​​— molhos para salada, biscoitos, bolos, bolachas, pães e leites vegetais.

Para consumir o equivalente a 3 a 5 colheres de sopa de óleo de milho, teríamos que comer de 60 a 70 espigas de milho. Para consumir o equivalente a 3 a 5 colheres de sopa de óleo de soja, estamos falando em mais de 1 kg de soja. Quantidades que nunca teríamos encontrado historicamente como consumo humano.

Portanto, o que temos aqui é uma discordância impressionante entre o que fizemos por centenas de milhares de anos e o que comemos hoje em nossas dietas — um consumo incrivelmente evolutivo e consistente de óleos de sementes, que são fáceis de consumir hoje em dia.”

Para se produzir esses óleos de sementes, amêndoas e feijões, só é possível transformá-los em óleo em uma fábrica, que requer vários estágios para a criação do produto.

O primeiro óleo industrializado foi o óleo de algodão, que foi usado como lubrificante de máquinas, durante a revolução industrial.

De acordo com Nina Teicholz, PhD, autora do livro “The Big Fat Surprise”

“Depois de termos caçado todas as baleias do oceano — caçávamos as baleias principalmente por sua gordura —, quando perdemos essa fonte de gordura, ela teve que ser reposta. O óleo de semente de algodão surgiu para suprir essa necessidade de todos os tipos de máquinas, para a fabricação de velas e sabonetes, e foi isso. Então, a Procter & Gamble apareceu e disse: ‘Vamos tentar vender isso como alimento.'”

A primeira grande mudança de hábito alimentar foi induzida pela Crisco, quando iniciou em 1911 a produção industrial de óleo para ser vendido como alimento, substituindo a manteiga, banha e sebo.

Vendiam como banha falsa, feita de óleo de algodão.

Mudaram o hábito da população americana, não por mérito, mas por marketing e cerca de 2 anos após, lançaram um livro “The History of Crisco”, escrito pelo antigo vice presidente da American Heart Association (AHA), enfatizando que gordura animal era danosa, apesar de fazer parte da alimentação humana por gerações.

E Teicholz explicou:

“E assim, o livro de receitas do país foi retirado e está sendo revisado. Em milhares de páginas, as palavras banha e manteiga foram riscadas e a palavra Crisco escrita em seu lugar”, diz Teicholz. “O objetivo sincero dos fabricantes do Crisco era produzir um produto estritamente vegetal, sem adicionar gordura animal solida e, consequentemente, indigesta.”

Naquela época, a American Heart Association (AHA) era uma entidade pequena, praticamente não havia doença cardíaca e pouquíssimo cardiologistas.

Porém em 1948, a Procter & Gamble fez uma doação de cerca de 1,7 milhões de dólares a AHA, (isto hoje seria o equivalente a 20 milhões de dólares) o que promoveu seu rápido crescimento e fortalecimento nas diretrizes de saúde, alinhadas com o interesse das indústrias da alimentação.

Decisões econômicas a rotina das famílias

As mulheres, donas de casa americanas passaram a usar óleos de sementes, pois eram mais baratos que os óleos de animais, amparadas pela divulgação da AHA de que esses óleos eram saudáveis.

Organizações governamentais subsidiaram e ajudaram o fortalecimento dos óleos de sementes na alimentação.

Em 1970, as orientações dietéticas federais passaram a condenar gordura saturadas e encorajavam o uso de óleos polinsaturados de sementes (PUFA).

Em paralelo, surgiram subsídios favorecendo para plantações de milho e soja, tornando o produto barato e abundante.

As empresas de alimento adotaram esses óleos por toda a parte, tornando-os baratos e fáceis de serem usados em produção de massa.

Conforme os óleos de sementes se tornaram padrão nos alimentos processados, e nas orientações de culinária, se tornou impossível evita-los.

Consequências para a saúde da troca de gordura animal para vegetal

Isso se tornou controversial, e por décadas tem surgido um debate entre especialistas sobre o real benefício desses óleos, pois apareceram aumento significativo das doenças, que esses óleos se propunham tratar.

Hipervalorizado de estudo fraudulento de Ancel Keys

Em 1950, o pesquisador Ancel Keys apresentou um estudo de que gordura animal e doença cardíaca estavam correlacionadas, demonizando a gordura animal e promovendo os óleos vegetais como a alternativa saudável.

Baseou-se num estudo que eram de 23 países e que, pelo fato de só encontrar correlação de 7 para comprovar sua hipótese, ignorou os outros países.

Assim, induzia a se concluir que estava correto.

Ignorou países como Suiça, França e Alemanha, cuja população consumia altos níveis de gordura saturada, porém com taxa baixa de doença cardíaca.

Teste de óleo de milho: ignorado

Este foi um dos primeiros estudos para determinar o efeito dos óleos de semente nas doenças cardíacas, realizado em 1956.

Foi dado aos participantes 19 colheres de chá de óleo de milho diariamente, sendo acompanhados por 3 anos.

O estudo foi encerrado logo no início, pois os participantes que consumiram óleo de milho, tiveram mais mortes.

O objetivo era mostrar que esse óleo era protetor de doença cardíaca, mas não foi isso que a meta analise concluiu.

Estudo correlacionando óleo de semente com câncer

No começo dos anos 80, os estudos começaram a mostrar a correlação entre óleos de semente e câncer, em especial câncer de cólon.

Como os resultados eram bastante consistentes, os cientistas do Instituto Nacional de Saúde, não concordaram com os achados para serem apresentados no seu Congresso, preferiram enfocar, dizendo que haviam benefícios para o colesterol, mas ignoraram os efeitos no câncer.

Redução de colesterol não mostrou benefícios

Os óleos de sementes diminuem o colesterol LDL e colesterol total, porém, esses achados não se traduzem em melhores condições.

Veja o que Teicholz diz:

Pesquisas de comparação de eficiência para a saúde comparando óleos de sementes com gordura saturada nunca aconteceu, pois a indústria prefere ficar mostrando ciência de baixa qualidade, assim mascara a realidade.

Referências bibliográficas:  

– YouTube, Heart & Soil, “The Truth About Seed Oils | FED A LIE | Full Documentary” November 23, 2024

– Proceedings of the Nutrition Society. 2022;81(4):279-287

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