Colesterol: quanto menos, maior risco de saúde

Certamente você sempre ouviu que o colesterol é ruim, e que quanto menor, melhor.

Porém, não é bem assim, uma quantidade adequada de colesterol é protetor, e indispensável para ótima saúde, mas dosagens baixas do Colesterol Total e LDL colesterol estão associados com aumento de mortalidade.

Colesterol tem papel fundamental nas funções do nosso corpo.

É crucial para a fluidez e integridade estrutural da membrana celular, produção hormonal e síntese de vitamina D.

No aparelho digestivo, o colesterol colabora na formação de bile, necessária para absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis.

Colesterol é necessário na formação da bainha de mielina, melhorando a transmissão dos impulsos nervosos pelo corpo.

Mas entenda, quando se tem o colesterol total baixo, isso aumenta todas as causas de mortalidade, especialmente em adultos com idade mais avançada, pois compromete a função celular, aumenta a vulnerabilidade para infecções e outros problemas de saúde.

Adicionalmente, ainda aumenta inflamação, que está correlacionado com todas as doenças do envelhecimento, níveis baixos estão ligados à diabetes e câncer sanguíneo.

Porque manter nível adequado de colesterol

De acordo com publicação na Frontiers in Endocrinology, observou-se que níveis baixos de Colesterol Total aumentaram o risco de mortalidade em indivíduos adultos de idade mais avançada.

O estudo analisando dados da Chinese Longitudinal Healthy Longevity Survey, encontrou que indivíduos com Colesterol Total abaixo de 131 mg/dl tinham maior risco de mortalidade por todas as causas, quando comparado com os que tinham altos níveis.

Veja a explicação dos pesquisadores

“Embora as vias biológicas que ligam o Colesterol Total (CT) à mortalidade sejam pouco compreendidas, vários mecanismos podem explicar essa associação inversa. Por exemplo, os lipídios sanguíneos, que são um componente importante das membranas celulares, podem afetar a eletrofisiologia celular, modulando a distribuição e a função de alguns canais iônicos.

Níveis baixos de CT podem contribuir para a patogênese de algumas doenças comuns em idosos, como a fibrilação atrial. Outro mecanismo potencial é que o CT pode regular marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa, e atenuar a resposta biológica à inflamação. Portanto, indivíduos com baixos níveis de CT podem ser mais vulneráveis ​​a distúrbios fisiológicos devido ao aumento da inflamação”.

Identificou-se também que os participantes com Colesterol Total 131 mg/dl e 170 mg/dl, e os com níveis mais altos ainda tinham menor risco de mortalidade quando comparados com níveis abaixo de 131 mg/dl.

E a sugestão dos pesquisadores é que se mantenha o colesterol em 200 mg/dl ou acima.

Colesterol baixo e Diabetes 

Outro estudo com 3,26 milhões de chineses adultos acima de 65 anos, revela a importância de se manter o Colesterol Total mais elevado, pois colesterol baixo aumenta o risco de diabetes.

No caso, níveis muito baixos ou muito alto aumentam o risco, e para reduzir o risco, manter níveis moderados.

Especialmente, níveis abaixo de 156 mg/dl, aumentam os riscos.

Isso vale também para o LDL colesterol, que abaixo de 90 mg/dl, foi associado ao aumento de risco de diabetes.

Colesterol e proteção cerebral

A saúde cerebral, depende do colesterol responsável pela produção e manutenção das membranas das células cerebrais, crucial para as sinapses nervosas e plasticidade.

Isso é fundamental para o aprendizado e memória.

Por outro lado, com o colesterol baixo, haverá comprometimento do reparo de mielina, comprometendo a transmissão de sinais cerebrais, gerando declínio cognitivo.

Um estudo avaliando mulheres na pós menopausa, com Colesterol Total abaixo de 153 mg/dl, apresentam maior risco de demência.

Já com valores acima de 200 mg/dl, tinham redução de risco, quando comparadas com as de valores menores.

Os pesquisadores explicam porque o colesterol baixo aumenta o risco de demência.

“Nos neurônios, acredita-se que as balsas lipídicas estejam envolvidas na função sináptica e na plasticidade, que são essenciais para os processos de aprendizagem e memória. O baixo nível de colesterol causado por drogas ou toxinas pode interromper as balsas lipídicas, afetando subsequentemente a consolidação da memória e a função cognitiva, podendo resultar em demência.

Além da interrupção das balsas lipídicas, a desmielinização causada por baixos níveis de colesterol também pode ser outro fator importante que interfere na regeneração da mielina; portanto, a transformação e a consolidação do sinal (informação) ficam comprometidas.

Diversos fatores, incluindo hiperglicemia, hipertensão, toxinas, infecções e muitos outros que induzem radicais livres, oxidação e inflamação da mielina, resultam no processo de envelhecimento ou na destruição da mielina. Nessa situação, um nível mais alto de colesterol pode ser um fator limitante para o reparo e a remielinização.

Sem balsas lipídicas e mielina funcionais e intactas, a condução, a consolidação ou a plasticidade da informação no cérebro não são possíveis.”

Colesterol baixo e risco de câncer sanguíneo

A pesquisa recente do UK Biobank study, mostrou a inesperada relação entre níveis baixos de colesterol e aumento de risco de formação de neoplasias em células plasmáticas, inclusive mieloma múltiplo.

Uma avaliação com mais de 502 mil pessoas por mais de 14 anos, revelam que indivíduos com níveis baixos de colesterol total, LDL colesterol, HDL colesterol e apolipoproteínas, tiveram maior risco de desenvolverem esses canceres.

Na verdade, o colesterol tem papel protetor quando o HDL colesterol e apolipopropteina A, estão altos, pois reduzem inflamação e melhoram a função imunológica e regulam as células cancerígenas de se proliferarem.

Colesterol é importante para a homeostase do sistema hematopoiético, que produzem glóbulos vermelhos.

O estudo mostra que colesterol baixo, altera esse delicado equilíbrio, aumentando o risco de transformação maligna nas células plasmáticas, especialmente em homens após os 60 anos.

Novas diretrizes da American Heart Association sobre o colesterol

Apesar das estatinas serem a droga entre as mais vendidas, o número de pessoas a usá-las pode cair bastante.

Hoje na América, 45,5 milhões de pessoas usam essa medicação, que de acordo com os novos critérios de uso da American Heart Association, se forem  adotados, deve cair para 28,3 milhões de pessoas usando essa medicação.

Vamos ver ….

Referências bibliográficas:

– Front. Endocrinol, 12 June 2024

– Front. Endocrinol, 12 June 2024, Discussion

– Lipids Health Dis. 2024; 23: 167

– Nutrients. 2023 Oct; 15(20): 4481

– Nutrients. 2023 Oct; 15(20): 4481, Discussion

– Cancer Med. 2023 Nov; 12(22): 20964–20975

– Cancer Med. 2023 Nov; 12(22): 20964–20975, Discussion

– JAMA Internal Medicine June 10, 2024

< Artigo AnteriorPróximo Artigo >